A faculdade formou-me psicóloga. Agreguei especialização em neuropsicologia, mestrado, doutorado e pós-doutorado, tudo na USP. Variei o cardápio, com mais dois pós-doutorados e estou no quarto, pois fiz da minha curiosidade uma estudante perpétua. Nessas andanças, profissionalmente virei professora, neuropsicóloga clínica e psicoterapeuta. Apesar de em todo esse percurso escrever textos técnicos, apenas recentemente senti que poderia dizer que sou oficialmente uma escritora. Em 2024 publiquei o meu livro de crônicas chamado “Colunata: a minha coluna inventada e outras lorotas” e lancei este blog (pois senti que o Instagram estava pequeno para mim). Aqui disponibilizo outras crônicas, além de resenhas de livros, filmes e séries. Descobri que escrever é uma forma de pensar sozinha, mas publicar é o melhor jeito de encontrar companhia.

Neste filme da francesa Justine Triet, da anatomia de uma queda, passa-se à anatomia de um casamento. Não é a dúvida que induziu à investigação, mas a suspeita. Projetamos a história da verdade, mas isso é a verdadeira história? O que há por trás de uma morte? Finalmente, podemos perguntar, a despeito de nunca alcançarmos todas as respostas: o que esconde o véu da ficção?

“Caderno de ideias e angústias”? É não é disso que são feitos os “Nossos Diários”? Também poderia chamar esta seção de “Caderno de Confissões”, que tal?
Não, vai criar expectativa. E nem espere que eu confesse tudo. Seria mentir de princípio. Como se percebe, estou com título provisório.

Para um bicho que dominou o fogo é de se surpreender com que facilidade ele ignora a fumaça. Houve o alerta. Qual?
Fahrenheit 451 de Ray Bradbury. Este livro é o alerta, diz Neil Gaiman, mas “(…) a raça humana tem o hábito de ouvir as predições do futuro e fazer algo completamente diferente”.

Diferente de outros textos, a crônica tem uma mobilidade intelectual, um molejo.
É o pensamento móvel se equilibrando no cotidiano, expondo jogos de relações, dando camadas de profundidade à mais banal das ocorrências (…) mas a crônica não é muito de cerimônias, vai lá e adota uma atitude despojada diante do mundo e da vida. Mesmo que tivesse produzido ensaios psicossociológicos em português, Adorno jamais escreveria “molejo”.