A faculdade formou-me psicóloga. Agreguei especialização em neuropsicologia, mestrado, doutorado e pós doutorado, tudo na USP. Variei o cardápio, com mais dois pós-doutorados e cultivo o quarto, pois de uma única semente não se tem boa horta. Nessas andanças, fiz-me professora, supervisora, neuropsicóloga clínica, psicoterapeuta e, enfim oficialmente, escritora.

O título é feliz em nos deixar tão curiosos quanto desprevenidos. Não há respostas aqui. É que o modo “natural” da curiosidade, ao qual Manguel se refere, é interrogativo. Para ele, a curiosidade é a arte de fazer perguntas e não a de achar respostas. O livro tem jeito de conversa, mas imagine acompanhar as ideias de alguém que tem uma biblioteca com mais de trinta mil livros?

Para um bicho que dominou o fogo é de se surpreender com que facilidade ele ignora a fumaça. Houve o alerta. Qual?
Fahrenheit 451 de Ray Bradbury. Este livro é o alerta, diz Neil Gaiman, mas “(…) a raça humana tem o hábito de ouvir as predições do futuro e fazer algo completamente diferente”.

Na fala, as frases são tão mais fáceis de sair – sei que algumas escapam fora de hora à mercê de determinadas cabeças e bocas. Nas conversas, as frases são apenas parte da cenografia, acompanhadas por gestos e um imenso repertório de recursos vocais de entonação e respiro. Na publicação, as frases são tudo. É lá onde elas ficam realmente frágeis e vulneráveis para serem roubadas. Sem aspas e sem outros indicativos, quem notaria que a frase nasceu em outro lugar? Outra pergunta: os senhores perceberam que a IA não usa aspas?

Antigamente, o amadurecimento fazia-nos superar várias etapas, entretanto, na atualidade, os mais velhos dão ré e os mais novos não avançam. A modernidade teve a proeza de juntar a alteração da consciência com a alteração do desenvolvimento e enfiou, tudo e todos, num carrossel. Mas graças aos algoritmos de narcose em massa, estamos entretidos, não é mesmo, senhores?