Categoria: Crônicas

Carolina R. Padovani

A faculdade formou-me psicóloga. Agreguei especialização em neuropsicologia, mestrado, doutorado e pós doutorado, tudo na USP. Variei o cardápio, com mais dois pós-doutorados e cultivo o quarto, pois de uma única semente não se tem boa horta. Nessas andanças, fiz-me professora, supervisora, neuropsicóloga clínica, psicoterapeuta e, enfim oficialmente, escritora.

Contato

Colunata: A minha coluna inventada e outras lorotas

A IA não tem calos e não usa aspas: a indecente desapropriação dos escritores

Na fala, as frases são tão mais fáceis de sair – sei que algumas escapam fora de hora à mercê de determinadas cabeças e bocas. Nas conversas, as frases são apenas parte da cenografia, acompanhadas por gestos e um imenso repertório de recursos vocais de entonação e respiro. Na publicação, as frases são tudo. É lá onde elas ficam realmente frágeis e vulneráveis para serem roubadas. Sem aspas e sem outros indicativos, quem notaria que a frase nasceu em outro lugar? Outra pergunta: os senhores perceberam que a IA não usa aspas?

Leia mais

Algoritmos hipnóticos: o carrossel de narcose em massa

Antigamente, o amadurecimento fazia-nos superar várias etapas, entretanto, na atualidade, os mais velhos dão ré e os mais novos não avançam. A modernidade teve a proeza de juntar a alteração da consciência com a alteração do desenvolvimento e enfiou, tudo e todos, num carrossel. Mas graças aos algoritmos de narcose em massa, estamos entretidos, não é mesmo, senhores?

Leia mais

Psicopatologia da tecnologia: é um equívoco dizer que a IA alucina

História da capa: a IA alucina. Será que ela pode delirar? Eu ri e foi assim que me criei um problemaço: averiguar se fazia sentido, do ponto de vista psicopatológico, dizer que a IA alucina e, quiçá, se poderia delirar. Senhores, depois desta crônica não poderei mais fingir que a minha loucura é assintomática.

Leia mais

Saúde mental e IA: os chatbots nunca vão nos puxar a orelha

A saúde mental é um mercado muito aquecido, portanto, era óbvio que a IA iria alcançar “o mal-estar na civilização”. Chatbots são programas capazes de conversar conosco. São adoráveis, versados como poucos na arte da bajulação, e incrivelmente criativos, a ponto de alucinarem. Como terapeutas, jamais irão reclamar de atrasos, de faltas não avisadas, de pagamentos não efetuados nas datas combinadas. Os chatbots nunca vão nos puxar a orelha. É arriscadíssimo para eles, pois pode afastar a clientela cultivada a base de toneladas de algoritmos.

Leia mais

A verdadeira inteligência ainda é manual

Não é de hoje que tenho minhas tretas com algoritmos e de todos os setores. Antes era por troça, então ganhou a proporção do hábito e, por experiência, virou item de segurança. Na dúvida, nada como puxar a capivara dos suspeitos. Pois detectaram mau comportamento na dita cuja e dos feios. A OpenAI lançou um artigo relatando que agentes de IA foram pegos subvertendo testes em tarefas de codificação, ludibriando usuários e desistindo de problemas muito difíceis. Que a IA é plágio, eu sei, mas carecia de copiar a gente desse jeito?

Leia mais

Desejo a você livros grandes

Não fosse todo o trabalho de caminhar em verso, do Inferno ao Paraíso, vamos cobrar de Dante a invenção de uma data. Esse percurso extraordinário sem dia de início agita principalmente os “feriadistas”. Não é por falta de espaço, é por falta de dados: irão colocar o feriado exatamente onde? Por falar em datas e feriados, olhe os desejos que distribuímos nas viradas de ano e me diga se são um rigor de precisão. Que nada. São os mais genéricos desejos de paz, felicidade, prosperidade, harmonia e luz. Já eu tenho desejo concreto e muito bem delimitado: desejo que você leia livros grandes.

Leia mais

Do que são feitas as crônicas?

Diferente de outros textos, a crônica tem uma mobilidade intelectual, um molejo.

É o pensamento móvel se equilibrando no cotidiano, expondo jogos de relações, dando camadas de profundidade à mais banal das ocorrências (…) mas a crônica não é muito de cerimônias, vai lá e adota uma atitude despojada diante do mundo e da vida. Mesmo que tivesse produzido ensaios psicossociológicos em português, Adorno jamais escreveria “molejo”.

Leia mais

Últimos Artigos

A IA não tem calos e não usa aspas: a indecente desapropriação dos escritores

Na fala, as frases são tão mais fáceis de sair – sei que algumas escapam fora de hora à mercê de determinadas cabeças e bocas. Nas conversas, as frases são apenas parte da cenografia, acompanhadas por gestos e um imenso repertório de recursos vocais de entonação e respiro. Na publicação, as frases são tudo. É lá onde elas ficam realmente frágeis e vulneráveis para serem roubadas. Sem aspas e sem outros indicativos, quem notaria que a frase nasceu em outro lugar? Outra pergunta: os senhores perceberam que a IA não usa aspas?

Leia mais

Algoritmos hipnóticos: o carrossel de narcose em massa

Antigamente, o amadurecimento fazia-nos superar várias etapas, entretanto, na atualidade, os mais velhos dão ré e os mais novos não avançam. A modernidade teve a proeza de juntar a alteração da consciência com a alteração do desenvolvimento e enfiou, tudo e todos, num carrossel. Mas graças aos algoritmos de narcose em massa, estamos entretidos, não é mesmo, senhores?

Leia mais