Disclaimer: o aviso não expõe o principal perigo

Um jovem morre afogado ao tentar salvar uma criança. A versão do que antecede à sua morte heroica está no livro “O completo estranho”. Nele, o leitor encontra, em um cenário “italianamente” sedutor, o romance de uma “mulher terrível” que merece seu final. O que é ficção quando, na realidade, os personagens – o jovem, a criança e a mulher –, existem? Um livro é enviado à mulher. É ali, do meio da sua cozinha, um espetáculo visual à parte, que a vida dessa mulher começa a desabar: o casamento, o emprego, a reputação. Será esse livro o maior perigo da minissérie?

Desejo a você livros grandes

Não fosse todo o trabalho de caminhar em verso, do Inferno ao Paraíso, vamos cobrar de Dante a invenção de uma data. Esse percurso extraordinário sem dia de início agita principalmente os “feriadistas”. Não é por falta de espaço, é por falta de dados: irão colocar o feriado exatamente onde? Por falar em datas e feriados, olhe os desejos que distribuímos nas viradas de ano e me diga se são um rigor de precisão. Que nada. São os mais genéricos desejos de paz, felicidade, prosperidade, harmonia e luz. Já eu tenho desejo concreto e muito bem delimitado: desejo que você leia livros grandes.

Anatomia de uma queda

Neste filme da francesa Justine Triet, da anatomia de uma queda, passa-se à anatomia de um casamento. Não é a dúvida que induziu à investigação, mas a suspeita. Projetamos a história da verdade, mas isso é a verdadeira história? O que há por trás de uma morte? Finalmente, podemos perguntar, a despeito de nunca alcançarmos todas as respostas: o que esconde o véu da ficção?

Caderno de ideias e angústias

“Caderno de ideias e angústias”? É não é disso que são feitos os “Nossos Diários”? Também poderia chamar esta seção de “Caderno de Confissões”, que tal?

Não, vai criar expectativa. E nem espere que eu confesse tudo. Seria mentir de princípio. Como se percebe, estou com título provisório.

Fahrenheit 451

Para um bicho que dominou o fogo é de se surpreender com que facilidade ele ignora a fumaça. Houve o alerta. Qual?

Fahrenheit 451 de Ray Bradbury. Este livro é o alerta, diz Neil Gaiman, mas “(…) a raça humana tem o hábito de ouvir as predições do futuro e fazer algo completamente diferente”.

Do que são feitas as crônicas?

Diferente de outros textos, a crônica tem uma mobilidade intelectual, um molejo.

É o pensamento móvel se equilibrando no cotidiano, expondo jogos de relações, dando camadas de profundidade à mais banal das ocorrências (…) mas a crônica não é muito de cerimônias, vai lá e adota uma atitude despojada diante do mundo e da vida. Mesmo que tivesse produzido ensaios psicossociológicos em português, Adorno jamais escreveria “molejo”.