A IA não tem calos e não usa aspas: a indecente desapropriação dos escritores

Na fala, as frases são tão mais fáceis de sair – sei que algumas escapam fora de hora à mercê de determinadas cabeças e bocas. Nas conversas, as frases são apenas parte da cenografia, acompanhadas por gestos e um imenso repertório de recursos vocais de entonação e respiro. Na publicação, as frases são tudo. É lá onde elas ficam realmente frágeis e vulneráveis para serem roubadas. Sem aspas e sem outros indicativos, quem notaria que a frase nasceu em outro lugar? Outra pergunta: os senhores perceberam que a IA não usa aspas?
Algoritmos hipnóticos: o carrossel de narcose em massa

Antigamente, o amadurecimento fazia-nos superar várias etapas, entretanto, na atualidade, os mais velhos dão ré e os mais novos não avançam. A modernidade teve a proeza de juntar a alteração da consciência com a alteração do desenvolvimento e enfiou, tudo e todos, num carrossel. Mas graças aos algoritmos de narcose em massa, estamos entretidos, não é mesmo, senhores?
Psicopatologia da tecnologia: é um equívoco dizer que a IA alucina

História da capa: a IA alucina. Será que ela pode delirar? Eu ri e foi assim que me criei um problemaço: averiguar se fazia sentido, do ponto de vista psicopatológico, dizer que a IA alucina e, quiçá, se poderia delirar. Senhores, depois desta crônica não poderei mais fingir que a minha loucura é assintomática.
Saúde mental e IA: os chatbots nunca vão nos puxar a orelha

A saúde mental é um mercado muito aquecido, portanto, era óbvio que a IA iria alcançar “o mal-estar na civilização”. Chatbots são programas capazes de conversar conosco. São adoráveis, versados como poucos na arte da bajulação, e incrivelmente criativos, a ponto de alucinarem. Como terapeutas, jamais irão reclamar de atrasos, de faltas não avisadas, de pagamentos não efetuados nas datas combinadas. Os chatbots nunca vão nos puxar a orelha. É arriscadíssimo para eles, pois pode afastar a clientela cultivada a base de toneladas de algoritmos.